domingo, 24 de novembro de 2024

Uma Saudade

 
Hoje meu espírito dorido
Fechou-se apertado em concha
Uma flor do meu jardim feneceu
Deixando um vazio no solo

Vermelha, radiante,viçosa,
Que espalhava seu perfume
Entre todos que a cercassem
Foi-se!

seu espaço vazio ficou
Mas sua essência rara
Permanecerá no coração partido
De todos que a cultivaram

Apenas, mudança de ciclo
Pois vicejara em lindos jardins
Integrando-os em esfera sublime
Reacendendo seu toque especial

Nasceu!
Resplandeceu!
Murchou!
Renasceu!

Nara Pamplona




Amor Dimensional

Meu amor revive a cada instante
No nascer do dia que nos despertava
Na gota de chuva que acariciava nossas faces
No banco da praça onde absorvíamos calor humano

No toque forte de uma Sinfonia de Bethoveen
Mas, também, no leve afago de um adágio de Bach.
Nas leituras das ideias polémicas de Friedrich Nietzsche
Mas também nas teorias futuristas de Aldous Huxley

Na espuma das marés que molhava nossos pés
Na memória de sua bondade e solidariedade
De sua seriedade, confiança, e amor à vida
Do seu olhar perscrutador, penetrante, embora calmo

Como amo esse amor que era e é tão nosso
Que ultrapassa a barreira dimensional
Iluminando nossas existências em esferas diversas
Que é eterno! Perene! Indissolúvel!

Como essa união floresceu em solo fértil
A guardar e zelar sentimentos imorredoiros
Transmudando-os em flores de variados matizes

Ah! Esse amor assim, brilhante como os raios do Sol
Sereno e apaziguador como o toque do luar
Continua e continuará orvalhando meu sedento coração!

Nara Pamplona



Presença Divina

 Se tiver nódoas em seu coração

Sentimentos e pensamentos negativos

Não permita que guardem morada

Neutralizando o brilho do seu existir


Busque seu Eu interior

Alimentando-o com as energias crísticas

Cultivando amor por si

Pelo próximo e planeta

Elegendo-o como sua bússola


E, como bênçãos divinas e cósmicas

Sentirá um manto de luz e paz

A cobrir seu corpo físico e emocional

Curando todos os males e perturbações

Que impedem seu sereno caminhar!


O aroma e cores das flores renascerão

As pedras de seu caminho sumirão

E seu espírito límpido e sereno

Seguirá leve, tranquilo, reconciliado consigo mesmo!


Nara Pamplona





Tirano Inverno

Nossa mente é um mundo em movimento

Atravessando inúmeros ciclos de mutações

Que fazem com que nosso espírito

Oscile e transite por múltiplos sentimentos


Se as emoções o fazem cantar e dançar

Ao sabor e a alegria de existir e viver

Deslumbra-se com a luminosidade do sol

A coroar seus anseios e ilusões!


E as mudanças percorrem seu caminho

Abraçando seu sentir com vestes outonais

Sentindo a tristeza de ver frondosas árvores

Com suas folhas secas esvoaçando e caindo ao chão!


Ah! O movimento prosseguiu devagar e silente

Com a opacidade do Sol, cujos raios empobrecem

Névoas densas a coroar as irradiantes montanhas

E um gélido vento trazendo indolência sombria!


E esse frio maltrata, machuca, encolhe a alma e corpo

Com uma indolência a travar seus anseios e movimentos

Revivendo lembranças guardadas no baú da saudade

E desejos do que não se deseja ser e ter!


Nara Pamplona






Reflexões

    Com a mobilidade dificultada por um acidente ,sobra tempo para ler, ouvir música, meditar! E o tempo tem sido pródigo ao me propiciar avaliar o que fiz, deixei de fazer, se subi bem as escadas da vida, os meus equívocos, erros, omissões! A idade também ajudou muito nessas reflexões! Não fui melhor, nem pior que meus semelhantes!


    Recebi a benção de ter uns pais maravilhosos, que me deram lindos exemplos de humanidade, solidariedade, despojamento, de luta, e procurei assimila-los com muita determinação, como também de abraçar a doutrina espírita que poliu muito das minhas arestas, processo esse que não findou! E posso afirmar, com extrema certeza, que venho trilhando minha senda, colhendo louros de sucesso de uma união feliz, mas ceifada por razões que desconheço, mas procuro entender, de uma função exercida com muito amor e dedicação, de angariar amigos que, embora a distância tenha separado-nos fisicamente, ocupam lugar especial em compartimentos
do meu coração, irmãos, sobrinhos, muitos agregados que abriguei e abrigo como se meus filhos fossem!


    Sofri grandes perdas de pessoas referenciais que me fizeram sentir como se tivesse perdido um pedaço de mim! Mas a vida e seus ciclos continuam e prossegui na caminhada programada! E a grande indagação! O que me restou e me resta? Fui e sou feliz? E a resposta vem serena categórica! Sim! 

A idade e seus achaques inevitáveis chegaram, maltratando o meu corpo, mas meu espírito e mente teimam em se manter íntegros, como se fossem de uma criança que, ainda, tem muito que brincar, aprender, e, principalmente, viver, tentando acompanhar as mudanças de comportamentos, de maneiras de pensar, agir, e respeitando-os, deixando, tão somente, que o amor seja a mola que me impulsiona e move! E a vida continua!


Nara Pamplona




quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Resgate de uma história de vida!


Maria Madalena e Sua Essência Divina


    Desde o início dos tempos, a imagem da mulher sempre foi desfigurada, massacrada, apresentada como um ser inferior, tendo como sua primeira vítima Eva que, embora existam outras versões sobre sua criação, foi a que contribuiu para o surgimento do suposto Pecado Original, segundo o mito bíblico.
Isso já é uma manifesta e maligna intenção de aniquilar o Sagrado Feminino que, na sua origem, deveria ser complementar ao Divino Masculino, como energias primordiais da criação da Fonte Divina, que no Oriente denomina-se como Yin (feminina) e Yang (masculina) e, para Carl Jung, como “Anima" e “Animus”.

    A energia feminina habita em todo o Universo e nos homens também. É representada pelo amor, generosidade, sensibilidade, aceitação, leveza, paciência, intuição, empatia, cooperatividade; e, a masculina, força ativa, competividade, lógica, pensamento lógico e racional, a precisão e a capacidade de tomar iniciativa, sendo certo que é uma dualidade, polaridade, como a luz/sombra, calor/frio, dia/noite, sol/lua. Todos nós nascemos com ambas as energias, com a prevalência de uma ou outra, ou seja, no homem a masculina, na mulher a feminina. Alguns, ainda, nascem com a oposta, a saber: o homem com a prevalência da energia feminina e a mulher com a masculina, sendo fundamental uma interação harmônica entre elas para o equilíbrio energético do Ser e do Universo, para que, assim, possa ocorrer o fim da competividade e o domínio do que se julga superior, mais forte e mais competente.

    Com a predominância, no homem, da exacerbação da polaridade masculina, desde a época das cavernas, quando a mulher ficava cuidando dos filhos e da alimentação, enquanto aquele partia para a caça e para a luta em defesa de seu território, a polaridade feminina foi fragilizando-se, submetendo-se e sendo obediente àquele que considerava o mais forte e superior. Isso foi institucionalizado pelo patriarcado, através de vários éditos religiosos que, interpretando a Bíblia de forma equivocada, passou a considerar as mulheres, com exceção de Maria, mãe de Jesus, apenas como criaturas sexuais, representando a luxúria, a promiscuidade, como uma forma de deturpar o Divino Feminino.

    Como o assunto dessa dualidade é extremamente vasto e, ainda objeto de estudos e pesquisas, não seria nossa intenção esgotar o tema. Importa ressaltar que é imprescindível a harmonização entre a consciência, que é característica da energia masculina, e a manifestação, a criatividade, o belo da energia feminina, para que ambas trabalhem juntas para uma vida mais saudável.Temos, na História Universal, vários exemplos de mulheres que, indefesas e com o imaginário masculino vendo-as como seres inferiores e sem nenhuma significação, foram imoladas em nome de inomináveis preconceitos e crenças infames (defendidos por esse patriarcado que imperava na época), que foram consideradas bruxas pelo povo, servindo de bode expiatório para pragas, pestes, catástrofes.

    É importante frisar que inúmeras mulheres, por sua coragem e determinação,conseguiram seu espaço na sociedade. Um exemplo clássico é Joana d’Arcque, comandando um exército de homens obteve conquistas e vitórias, masn depois foi queimada viva, como herege, por uma corte católica. Assim com Joana d’Arc, existem muitas outras mulheres que, ultrapassandoesse denso muro de execração, lograram êxito em suas conquistas, mesmo que, posteriormente, dizimadas pelo mesmo sentimento de repulsão. Mas, o espaço aqui não seria suficiente para nominá-las sem cometer alguma injustiça por omissão.

    Contudo, a que sempre me chamou a atenção foi Maria Madalena, tida como uma prostituta e mulher de costumes pecaminosos. Estudando um pouco de sua saga, aprendi que a verdade era outra, contrária à que sempre nos ensinaram...

    Mulher com raros atributos de beleza, nascida em uma família com fartos recursos financeiros, não encontrava sintonia nem afinidade com os padrões vivenciados à época e que lhes eram impostos. Nutria sentimentos que a
levavam a sentir desejos de mudanças em seu eu interior e superior. Quando ouviu relatos sobre um homem diferente que, além de curar as pessoas, espalhava mensagens de amor incondicional ao próximo, solidariedade e humanidade, seu coração sofreu um impacto, um júbilo intenso, pois tudo aquilo estava em sintonia com os anseios de seu espírito. Contrariando a família, resolveu ir a busca desse ser iluminado, que se chamava Jesus, e a Ele se juntou, acompanhando-o em suas caminhadas e peregrinações. Os discípulos do Mestre não aprovavam sua presença, pois não era normal nem aceitável uma mulher, “ser inferior”, integrar um grupo masculino. No entanto, Jesus a aceitou como discípula, principalmente por sua lealdade, sensibilidade e inteligência e, assim, passou a tê-la como sua melhor parceira e companheira, com ela compartilhando conhecimentos e ensinamentos.

    Maria Madalena já trazia de modo harmônico, em seu eu, ambas as energias: a feminina e a masculina. Com serenidade, leveza, amor, determinação, consciência e força interior, essências da dualidade criada pela Fonte Divina, integrou-se ao grupo de apóstolos, mesmo com a recusa de aceitação por parte de muitos deles. Assim, passou a ser a melhor discípula de Jesus, vindo, tempos depois, em posição superior aos demais
discípulos.Eis que com sua inteligência e cultura, conseguia assimilar muitos dos ensinamentos de Jesus, que lhe repassava até os secretos. Após a crucificação, veio a substituir Pedro na liderança do grupo e, a ela Jesus
apareceu primeiro após sua ressureição.

    Essas informações constam em um texto que ficou conhecido como Evangelho de Maria Madalena, texto gnóstico encontrado no “Codex Akhmin", adquirido pelo Dr. Carl Rheinhardt, na cidade do Cairo, em 1896, e publicado apenas em 1955, após seu surgimento na Biblioteca de Nag Hammadi. Acresce salientar que nesse Evangelho é mencionada a tristeza dos apóstolos, principalmente de Pedro, que indagou como poderiam continuar pregando o Evangelho do Filho do Homem aos gentios? Se eles não O pouparam, o que fariam com eles? Ao que Madalena respondeu: “Não vos lamentais nem sofreis, nem hesitais, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens”. 

    Depois desse diálogo, passaram a aceitá-la e a manter conversação com ela,  que lhes passava os ensinamentos que não entendiam, continuando a pregar o Evangelho em todas as cidades que percorriam.
Com a intenção de estigmatizar o Divino Feminino, que já nasceu com ela e permaneceu durante todo o seu caminhar junto a Jesus e após a sua crucificação, no ano de 591 d.C. o Papa Gregório definiu-a como prostituta
e adúltera, em sermão na Basílica de São Clemente, em Roma, acabando assim com o avanço das mulheres na Igreja Católica no final do Século VI. Sua imagem distorcida sofreu mudanças, em decorrência dos outros
evangelhos, também considerados apócrifos e, atualmente, no meio espiritualista, é considerada como uma das primeiras e grandes Mestras da mensagem do Cristianismo original.

    Todos lhes devemos homenagem, amor e respeito, pois demonstrou aharmonização das energias do Divino Feminino e Divino Masculino e a alta capacidade e grandeza de seu espírito. Honremos, pois, esse Ser Ascencionado, por sua alma superior, amorosa e dedicada ao Bem Maior!

Nara Pamplona

Bibliografia:

  • Wikipédia, a enciclopédia livre.
  • Evangelho de Maria Madalena - José Lázaro Boberg.
  • Gabriel Menezes - Anima e Animus: Como Equilibrar o Sagrado Feminino/Masculino?



O Tempo

O tempo é uma ilusão, uma relatividade 
Criado há primórdios pelo ser vivente
 Para se situar no espaço e esfera dimensional 
E pudesse agir com noção de sua existência 
 
Assim, o verdadeiro, o real, o que se pode ver, sentir, apalpar 
É o Agora, sem sincrocidade de  passado e   futuro 
 Momento em que se deve incrementar projetos 
Realizar desejos, sonhos, sem expectativas, anseios...
 
Tudo isso continuando a caminhada confiante, 
Determinado e disposto sempre a lutar
Vivendo o momento presente, 
não dando guarida a desânimos, medos, insegurança.!
 
E viver simplesmente,  o aqui, o palpável 
Com o coração leve, livre, solto
Com o leme de seu barco dirigindo-o na direção almejada
Com a segurança da chegada ao destino planejado!

Nara Pamplona



segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Alienação

     No mundo, sempre convivemos com algum tipo de alienação, sendo que a mais frequente e conhecida em todos os tempos está representada pelos distúrbios mentais – leves ou graves – frequentemente necessitando de severo tratamento! No entanto, na fase atual em que nos encontramos, de transição planetária com mudanças das energias e movimentos em todo o universo, e as consequências que vêm atingindo com mais gravidade nossa amada Gaia, os seus habitantes despertos, que vêm recebendo ensinamentos de várias fontes espirituais e da medicina quântica, aproximam-se de forma mais lúcida da necessidade de cultivar seu Eu Superior. Assim, nutrindo um admirável amor incondicional, primeiramente pela Fonte Primordial e toda a Egrégora Espiritual, bem como por si próprio e por seus semelhantes! 

    Infelizmente, para nossa tristeza e compaixão, vemos grande parte dos seus habitantes alienados da Verdade que se nos apresenta, adotando comportamentos agressivos, indiferentes, como se seu próximo não merecesse a devida importância! Não olvidando a venda que cobre os olhos de muitos que negam a feia e terrível realidade que está a prejudicar a todos! Não podemos esquecer a mais grave e, atualmente, muito frequente: a parental, que viola todos os princípios universais do amor, do compromisso, da lealdade, da responsabilidade, da obrigatoriedade de cuidados e assistência pelo ser por quem deveria nutrir e cultivar sólidos laços familiares e afetivos! 

    Esta é a ALIENAÇÃO que mais fere e violenta o coração dos iluminados pelas energias cósmicas e crísticas que, hodiernamente, já se avolumam, até que a Luz surja abraçando todas as sombras que impedem o crescimento – de nossa parte – DA GRANDE ESSÊNCIA CRIADORA!

Nara Pamplona




sábado, 16 de novembro de 2024

Reencontro

    Luiza nasceu em uma cidade do interior, sendo a filha do meio dentre cinco filhos. Seus pais eram pessoas tranquilas e amorosas e, com muitas dificuldades, procuravam proporcionar aos rebentos uma boa formação moral e educacional, atentando para os princípios e valores que, por sua vez, haviam recebido dos pais, falecidos quando eles, ainda adolescentes, em tenra idade, foram obrigados a iniciar a luta pela vida. Integravam uma família grande de avós, tios e primos, que primavam pela união e alegria de aproveitarem a vida sempre em conjunto, como programações às montanhas, praias etc...

    Mas Luiza, muito embora fosse uma criança amada por todos, estudiosa e afeita às brincadeiras próprias de crianças, era considerada estranha por sua mania de se manter, na maior parte do tempo, reservada e circunspecta, preferindo permanecer entre os mais velhos, o que lhe fazia bem ao espírito e às necessidades daqueles momentos.


    Seus pais já não lhe indagavam sobre suas preferências, pois sua resposta era sempre um silêncio categórico, mas respeitoso. Não desejava responder aos reclamos da família, eis que, jamais acreditariam nas experiências astrais que vivenciava em seus sonhos e que,

ao acordar, permaneciam muito reais em sua alma infantil.


    O tempo foi passando, e, chegando à fase da adolescência sem que nada houvesse mudado em seu mundo, normal para si, mas excêntrico para aqueles que a circundavam, seus genitores mudaram sua residência para uma cidade maior, desejando que os filhos tivessem uma formação educacional melhor, com melhores chances de se situarem bem no campo profissional, uma vez que acreditavam que, na pequena cidade onde viviam, tal não ocorreria por uma série de circunstâncias. E que alegria tomou conta do coração de Luiza ao chegar à cidade grande, com seus altos edifícios, com grandes parques floridos, coloridos, e uma maior quantidade de lazer, leitura e concertos de música clássica, uma vez que estudara piano por três anos e desejava ser uma grande e conhecida pianista.No entanto, seus pais, em virtude dos parcos recursos financeiros, não possuíam condições para arcar com os gastos da compra de um piano e das aulas, fossem ministradas por professor particular ou pela escola de música, situação essa que entendeu e aceitou, já que sabia que seria diferente se houvesse uma estável situação financeira. Iniciou seus estudos em nova escola, com colegas que, também, a consideravam estranha, mas que a acolheram com muito carinho e companheirismo.


    Suas viagens astrais tornaram-se mais fortes e constantes, até que, a partir de um determinado momento, passou a manter encontros com uma figura masculina de belos e sedosos cabelos pretos, pele muito branca e olhos, também pretos, que penetravam o âmago de seu espírito. Como se conhecesse suas qualidades e defeitos, mantinha com ela conversas instrutivas, mostrando-lhe lugares tranquilos, irradiando, assim, amor e paz

que ela jamais imaginara que existissem. Terminou seus estudos no Ensino Médio e prestou vestibular de Medicina para várias universidades, logrando êxito logo na primeira tentativa,

conseguindo ingressar na faculdade com notas altas e entre os cinco primeiros lugares.


    Tornou-se uma bela moça, alta, esbelta, com formas físicas bem delineadas, morena, com expressivos olhos azuis, sendo, sempre, alvo de muitos olhares de admiração e tentativas de abordagem para relacionamentos amorosos, o que recebia com certa indiferença e frieza.

É evidente que, sendo uma mulher com sensibilidade de sentimentos, teve poucos namoros rápidos, chegando a ficar noiva uma vez, terminando o relacionamento antes que o casamento fosse concretizado, por sentir que o noivo não seria a pessoa com quem desejaria criar laços sólidos e permanentes, o que sempre fora o seu sonho.


    Findos seus estudos universitários, iniciou sua busca por residência médica em hospitais, necessária à sua futura especialização em Pediatria. Não demorou muito para que conseguisse uma vaga em um hospital federal altamente conceituado, onde passou a integrar um grupo de colegas que teria, como orientador, um médico de escol nesse ramo da Medicina, cujo nome era Ricardo.No primeiro dia de seu estágio, após não conseguir conciliar o sono, apreensiva e aflita, como é natural em todas as atividades que se iniciam, vestiu um vestido simples, mas que a deixou mais bonita e elegante. Tomou seu café da manhã e dirigiu-se ao hospital, sentindo, ainda, aquela ansiedade e aflição que lhe apertavam o peito.

    

    Quando ingressou na sala de reunião, onde receberia as orientações e recomendações, seu olhar cruzou-se com os olhos pretos e penetrantes do orientador. Ricardo tinha mãos tão finas e suaves que pareciam pétalas de rosas. Luiza sentiu, então, algo muito forte tomando conta de seu ser, fazendo com que suas pernas tremessem e sua cabeça rodasse com fortes

emoções a anular sua costumeira frieza e calma, pois logo veio à sua mente a imagem daquele homem com quem se encontrava, frequentemente, em suas viagens astrais. Era o déjà vu. E uma brisa serena, de imediato, passeou em volta de si, fazendo-a retornar a seu estado normal.

Seus colegas não perceberam qualquer mudança em seu comportamento, mas aquele encontro tocou fundo em sua alma e seu desejo momentâneo foi o de não retornar mais àquele hospital, pois Ricardo era bem mais velho e, certamente, comprometido.

No entanto, sua vontade de alcançar seu objetivo foi mais forte e continuou participando da reunião, para, logo em seguida, iniciar as visitas às enfermarias.


    Não demorou muito para que o orientador percebesse a inteligência e os altos objetivos de sua aluna e passasse a manter com ela uma relação profunda de admiração e amizade, ministrando-lhe, nas horas de folga, ensinamentos e esclarecendo suas dúvidas, como também contando fatos de sua vida pessoal, que estava em processo de separação física da esposa, o que decorreria em futuro divórcio.

E, como não poderia deixar de acontecer, decorrido um tempo desse relacionamento mais estreito, descobriram que a amizade vinha transformando-se em sentimento muito mais profundo, qual seja o amor. Luiza, atônita, sentiu novamente a vontade de fugir, porém, o sentimento que os estava unindo transformara-se em liame tão sólido, que Luiza perdeu suas

forças, continuando o relacionamento que lhes trazia muita alegria e felicidade.Luiza concluiu sua residência, continuando a exercer a sua especialidade, tratando, com carinho, cuidado e zelo, as crianças que passaram a ser suas pacientes, assim como quaisquer outras que necessitassem de cuidados, alugando um sala onde instalou seu consultório, onde atendia clientes particulares e portadores de planos de saúde.

    

    Todos os colegas e amigos os admiravam e estavam sempre a dizer da beleza e grandeza dos sentimentos de amor, companheirismo, parceria, solidariedade, que permeavam a vida do casal, em todos os anos que viviam juntos, tanto na vida pessoal, como na profissional.

Decorridos vinte anos dessa invejável união, que não lhes proporcionou prole em virtude de problemas de saúde de Luiza, Ricardo, com a face pálida, demonstrando imensa tristeza, chamou Luiza para uma conversa séria, recomendando-lhe que, após ouvir o que tinha a dizer, mantivesse a serenidade e a calma, pois o que ocorreria era inevitável e seguiria um

plano, aceito pelos dois, de crescimento e aprendizado. E, olhando bem nos olhos de Luiza, estes já marejados de lágrimas, falou de sua partida sem retorno, que sua permanência na terra fora programada por eles, e que ela se mantivesse forte, eis que um dia haveria o reencontro. Ela, ainda chorosa, não acreditou muito no que estava a ouvir, mas sentiu

tranquilidade envolvendo-a.


    Poucos dias depois, após uma noite de trocas de juras de amor eterno, carícias, beijos sentidos, Luiza acordou e, olhando para o outro lado da cama, não viu Ricardo, passando a procurá-lo em todos os cômodos da casa, já que ele jamais tivera esse tipo de comportamento. Acordavam, deglutiam o desjejum e seguiam juntos para o trabalho. Iniciou uma busca na casa de parentes, amigos, hospitais, necrotérios, não logrando êxito em encontrar qualquer notícia.


    Anos passaram-se e a situação permaneceu a mesma, com a saudade corroendo o coração de Luiza, que sangrava, e cuja ferida não cicatrizava. E, mesmo assim, sua vida continuou, com um forte sentimento de perda, mas, lembrando as recomendações de Ricardo, aquietava seu coração e prosseguia em uma vida normal de trabalho, encontros com amigos e viagens.Até que, um dia, ao conciliar o sono, sentiu-se projetada no espaço, em

veículo cuja forma não conhecia, chegando a um parque muito florido, onde, em um banco pintado de branco, vislumbrou uma imagem masculina que não reconheceu de imediato. Aproximando-se, eis que seu espírito foi envolvido em emoções conhecidas e vívidas, já que ali estava sentado, com um belo sorriso nos lábios, seu amado Ricardo, que a abraçou e beijou forte e longamente, sem dizer uma só palavra.


    Passados os momentos iniciais de inominável alegria e felicidade por esse encontro, iniciaram um longo diálogo, interrompido pelo despertar de Luiza, que pouco se lembrava sobre os termos da conversa, mas sim da comoção intensa causada por esse contato extracorpóreo.

Luiza voltou, todas as noites, a ter suas viagens astrais, encontrando, para sua felicidade e alegria, seu amor eterno, sua alma gêmea, amenizando a saudade que sentia e aguardando o seu término de ciclo de aprendizado, para um novo reencontro.


Nara Pamplona





Dança do Amor

Em sons cadenciados, a melodia chama
Um arrepio percorre as entranhas
O coração pulsa em febril frenesi
As pernas indóceis tremem, reclamam...

Nossos corpos enroscam-se ansiosos
As mãos ajustam-se com pressa
E em loucos, apaixonados movimentos
Inicia-se a dança da sedução, da paixão!

Os olhares cruzam-se em lúdicos diálogos
Os suores misturam-se em ardentes ferormônios
As faces acariciam-se em erótico entrelace!

Acende-se a fogueira do sumo prazer
E enlevados nesse mundo de fantasia
Giramos na roda insaciável da dança do amor!

Nara Pamplona



segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Bela e Amada Avó

    Hoje, após ler uma mensagem sobre os avós, pareceu-me que uma onda de
energia de amor envolveu meu corpo e senti a presença astral de minha
querida vovozinha. Então fiquei pensando sobre a razão pela qual, em
nenhum momento, veio-me ao coração o comando de escrever o que ela
representou em minha vida.

    Em Fortaleza, minha cidade natal, meus pais e tios sempre residiram em
ruas próximas à de minha avó materna, que ficou viúva muito cedo e tinha
como companheira e parceira uma filha solteira, que era minha madrinha.
Muito embora fôssemos cinco irmãos e existissem netos de outros filhos, ela
e minha tia sempre tiveram uma ligação muito forte comigo, como se eu
fosse filha delas. Esse elo era recíproco, pois amava ficar junto às duas,
mesmo sem que tivesse outras crianças na casa.

    As palavras são insuficientes e pobres para descrever como eu via e sentia a
minha avó. Era um amor tão intenso que, muitas vezes, fugia de casa,
correndo, para ir para sua casa e lá me regalar com guloseimas, presentes,
carinhos!

    Quando meus pais eram convidados para comparecerem a algum evento na
parte da noite, elas que ficavam conosco e eu amava, porque minha avó
colocava-me no seu colo e passava a me contar histórias da carochinha. Eu
ficava absorta ouvindo-a, às vezes assustada, porque algumas delas tinham
algo de aterrador, como a existência de animais que eu desconhecia.
Quando surgiu um surto de sarampo em Fortaleza, fui levada para sua
residência a fim de ser separada de meus irmãos, que estavam sãos. Eu
adorava, porque minhas refeições eram muito requintadas e fortes, então
ficava pensando em meus irmãos, que não estavam tendo as mesmas
regalias.

    Era uma mulher bonita, alta, com lindos olhos verdes; sua bondade, ternura
e amor transbordavam de seu coração. Minha tia não ficava atrás, pois era
o retrato da mãe.

    Esse contato muito intenso durou até que meu pai foi transferido para a
cidade do Rio de Janeiro, quando eu tinha doze anos de idade. Essa
mudança causou-me muito sofrimento, eis que não aceitava minha
separação, pois não existia facilidade nos transportes por avião, carro e
ônibus.Assim que partimos para a viagem, que durou oito horas porque o avião da
Panair do Brasil não era a jato, soubemos que minha vovozinha teve um
derrame cerebral e se encontrava em grave estado de saúde.
Felizmente ela se recuperou. Ficou com algumas sequelas, mas que não a
impediam de levar uma vida normal e feliz, a par da saudade da neta
predileta e da minha mãe, que era muito apegada a ela.
Aos quatorze anos de idade já pude viajar em avião mais moderno e com a
assistência de aeromoça, exigência do Juizado de Menores. Quando desci
no aeroporto, a primeira pessoa que surgiu à minha frente foi minha
vovozinha. Meu coração disparou de tanta emoção e alegria. Tais viagens
repetiam-se todos os anos, porque um primo presenteava-me com passagens,
as quais tinha facilidade de adquirir.

    Pouco tempo depois meu pai foi promovido a inspetor no Setor de Comércio
Exterior do Banco do Brasil e as regiões que ele iria inspecionar eram
Nordeste e Norte. Assim, tivemos que nos mudar para Fortaleza, onde
permaneceríamos por dois anos.
Era indescritível minha satisfação ao saber que teria minha amada
novamente tão pertinho de mim. Alugamos uma casa em um bairro um
pouco distante, mas íamos todos os dias, minha mãe e todos os filhos,
desfrutarmos um gostoso e lauto lanche, com todos os petiscos dos quais
gostávamos, na casa de minha avó.
Aqueles dois anos esfumaçaram-se no tempo. Meu pai teve que retornar ao
Rio de Janeiro, pois o período de inspeção havia findado. Mais uma
dolorida separação. Esta, porém, foi muito forte para o coração de minha
avó, já atingido pela idade provecta...

    Logo que chegamos ao nosso destino recebemos a notícia de sua partida.
Foi um sofrimento muito grande para todos, principalmente para mim, já que
não podíamos viajar a Fortaleza para vê-la pela última vez. Meu pai sugeriu
que minha mãe fosse, porém ela preferiu utilizar o numerário da passagem
para trazer minha tia, que ficara sozinha, o que ocorreu.
Essas são as belas e saudosas lembranças que tenho de minha tão amada
avó, espírito de muita sabedoria e luz, que retornou ao espaço cósmico
onde, com certeza, algum dia ocorrerá nosso tão desejado reencontro.
Desejo que ela receba, onde está, toda a minha energia de incondicional
amor e que esteja vivenciando um mundo onde reine as Luzes Crísticas!

Nara Pamplona




Almas Gêmeas

U m olhar somente, um toque leve de mãos, Acendem em seu coração de imediato, O aceno forte de que ela, finalmente, surgiu, Depois de longa ...