domingo, 1 de junho de 2025

Almas Gêmeas

Um olhar somente, um toque leve de mãos,
Acendem em seu coração de imediato,
O aceno forte de que ela, finalmente, surgiu,
Depois de longa procura no decorrer da caminhada!

Surge em seus sonhos de infância, de adolescência,
Indefinida, mas deixando uma marca profunda,
Inesquecível, deixando lembranças indeléveis,
Deixando seu espírito na expectativa, ansioso...

Os dias passam, surgem amores fugazes,
O sentimentos permanecem frios, intactos,
Sem envolvimentos, sem compromissos,
A imagem dos sonhos permanece, ainda escondida...

Sem avisos, inesperadamente, ela surge...
E todos os sentidos explodem em euforia,
A imagem sonhada torna-se real,
E as almas reconhecem-se, o amor chegou...

Amor que atravessa os espaços etérios,
Vencendo obstáculos, em lutas constantes,
E as cumplicidade, sintonia, união, afinidades,
Reforçam os laços que inteligam seus objetivos...

A força do sentimento vem com tanta segurança,
Que nada, nem ninguém, o abala, o arrefece...
Os parceiros tornam-se únicos, como reflexo um do outro,
São almas gêmeas, unas, irmãs, completam-se...
Nara Pamplona



Na Madrugada

Sinto minha mente desperta,
Meus sentidos estremecem ansiosos,
Meu corpo faminto, deseja satisfação,
E um frêmito incontido invade minha vontade...

O desejo do seu corpo sufoca-me,
A saudade de sentir suas mãos sábias
Percorrendo o meu em suas sinuosidades,
Estremece minhas entranhas, todo o meu ser...

Ah! madrugada! amiga dos amantes...
Que aviva minha solidão, o vácuo do querer,
Trazendo ternas e ardentes lembranças,
De uma entrega total, de um amor que se foi...!
Nara Pamplona



Solidão

Ah este sentimento que me persegue,

Querendo consumir, machucar meu coração,

Deixando-o ôco, vazio de sentimentos, emoções...

Mas ali não o deixo guardar morada,

Espantando-o com belas recordações,

Lembranças de um lindo e eterno amor,

Que, embora ausente, deixou marcas profundas,

A enriquecer minha vida, 

O tempo que me resta...

Nara Pamplona




Mulher Guerreira

Não se importa com as pedras do caminho,
As núvens sombrias que rondam renitentes,
Os julgamentos maldosos dos insensatos,
As quedas que deixam profundas feridas...

Os sonhos acalentados desfeitos pelo desamor,
As tempestades que assombram seus dias e noites,
A ingratidão dos que não conhecem a sensibilidade,
E a inveja a cobiçar seus proprios espaços...

Hasteia sua bandeira de guerreira tenaz,
E prossegue na sua luta, no seu caminhar teimoso,
Com um sorriso radiante e ameno enfeitando seu rosto,
Confiante, segura, que alcançará seus objetivos!

Admirável mulher! Com alma tecida com fibras de aço!
Portando sua espada enfeitada com fios de ouro,
Trava seus embates com a força do amor, da ternura,
Chegando a vitória final com sensatez, maturidade...!

Não guarda ódio, rancor, pelos desafetos,
Compreende suas fissuras, fragilidades, arestas,
E os vendo abatidos, levanto-os do solo,
Com mãos amigas, acolhedoras, de sensível mulher...

Bela mulher guerreira! que derrama lágrimas,
Sofre as suas e as dores dos que a rodeiam,
Mas cultiva em seu coração a beleza, a arte do existir
Guerreia, mas solve, com prazer, o vinho da vida!

Nara Pamplona



Um Rosto no Espelho

Embalei-me nas miragens dos meus sonhos
E como ave liberta, alçei meu vôo pelos ares do mundo...
Cheguei ao topo da montanha do sucesso
Colhendo louros da fama!

Jovem de beleza agressiva
Arrastei-me pelos caminhos tortuosos da ilusão
Abraçei com impetuosidade o amor prometido e real
Semeei, alimentei, e colhi os frutos gerados pelo meu néctar.

A
h, o tempo...!
Implacável, dirigiu seus dardos certeiros
Na bolha ilusória do mundo em que me enclasturei
Precipitando-me aos abismos da desesperança...

E Hoje....
Na imagem refletida no espelho
Vejo um rosto sombrio e desgastado,
De um homem com acentuadas marcas de sofrimento
Mas com reflexos de maturidade e solidez de espírito.

Nara Pamplona



quinta-feira, 29 de maio de 2025

Da Minha Janela

Da minha janela...
Vejo-me criança travessa
Correndo pela areia da praia
Brincando com as pequenas marolas
Que acareciam meus pés descalços;

Sinto-me sentada sob a amena sombra dos coqueiros
Com sonhos povoando meus pensamentos
Que provocam um sorriso em meu rosto infantil
Diante da imagem desfocada de uma vida plena e feliz
Alimentada pelo néctar de um grande amor;

Surgem, deslizando em nítidos cenários
A adolescência vivenciada com festas e alegrias
E realizações profissional e amorosa no vigor da mocidade
Enriquecida pela paz e sabedoria da maturidade;

Da minha janela...
Sinto-me no outono da vida
Feliz, mas com um espaço vazio
Do grande amor que se foi;

Da minha janela...
Olho o horizonte e a calma invade o meu coração dorido
Trazendo a certeza de que tudo valeu a pena
Vivi, sofri, mas sempre guardando o prêmio maior
A felicidade!

Nara Pamplona



Todos os Dias são Novos

Penetrando no mundo da reflexão, 
uma indagação invadiu meu espírito
Qual a razão que motivou a criação humana de Ano Novo, 
como se todos os dias não fosse os mesmos,
As horas não transcorressem normalmente
E todas as nossas atividades não integrassem o nosso cotidiano!

A resposta veio célere e firme, 
com uma sensação de amor invadindo meu ser
E como sussurros suaves e meigos nos meus ouvidos, 
ouvi uma doce e amiga voz a dizer-me:

Essa visão imaginária do Homem 
representa uma forma de tentar resgatar seus erros 
no decorrer daquele que para ele supostamente passou, 
talvez buscando burilar seus atos e comportamentos 
que julge não terem correspondido aos seus anseios de paz, 
realizações, anseios, e humanidade...

Quando, na verdade, todos os nossos dias iniciam 
com um abençoado amanhecer, sinalizando a possibilidade de novas conquistas, 
vitórias, e crescimento interior, a qual, infelizmente, é relegada 
diante quaisquer agruras ou dificuldades que se colocam no caminho, 
como uma necessidade de aprendizado 
para ingresso em escala superior de conhecimento e aprimoramento.

É salutar e benéfica essa ilusão, 
mas sem que permitamos que ela nos conduza ao esquecimento 
quanto a nossa responsabilidade diária de fazer com que cada dia 
se torne um marco que nos induza à semeadura da união, 
da compaixão, da solidariedade, e, principalmente, do perdão!

Portanto, comemoremos sim, mas o renascer de um novo dia, 
vivenciando-o com a alegria festiva própria 
daqueles que o fazem produtivo em bondade, 
caridade, e amor ao próximo, irradiando-os entre os que nos rodeiam, 
sem quaisquer distinções de parentesco, amizade, credo, e raça.

Que Deus nos abençõe, fortalecendo ainda mais a nossa fé, 
cubrindo-nos com suas bençãos de luz e seu manto protetor 
de misericórdia e compaixão por nossos erros e desacertos, 
iluminando nossos espíritos para que não recalcitremos e descubramos 
novas fontes de sabedoria.

Rio, 28/12/2005
Nara Pamplona



Almas Gêmeas

U m olhar somente, um toque leve de mãos, Acendem em seu coração de imediato, O aceno forte de que ela, finalmente, surgiu, Depois de longa ...