terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Palavras

Guardam uma contradição que assusta
Quando demonstram carinho, amor
Fortificam e enaltecem as relações
Aquecem e acariciam os corações!

Se expressam respeito, consideraçao,
Vestidas com simplicidade, sinceridade
Engrandecem, enriquecem a parceria
Em elos fortes, inquebrantáveis!

Ah, mas as que refletem incompreensão
Agressão, interpretações equivocadas.
Ferem profundamento o âmago da alma...

Machucam sem parcimônia, pudor, piedade
Deixando rastros que fincam marcas profundas
Que somente o perdão apaga, levando ao esquecimento!

Nara Pamplona



Suaves e Luminosas Jardineiras!

Como centelhas divinas e eternas,
Vestidos com a beleza e sublimidade da carne
Com compromissos desejados e assumidos,
Chegamos na estação azul da terra...

E assim viestes, e, com seu brilho ímpar
Construiu seu reduto familiar e de amigos,
Distribuindo pérolas de ternura, de conhecimento,
Com alegria, amor, desprendimento, sem cobranças...

Quantas flores plantastes em teu jardim
Regadas com tanto desvelo e afeto
Que se multiplicaram em múltiplos canteiros,
Viçosos, firmes, coloridos, perfumados!

Teu sucesso revesteu-se de tamanha grandeza,
Que o Jardineiro Maior resolveu chamá-la
Para continuar tua obra em seu Grande Jardim,
Deixando tuas flores orfãs, assustadas pelo imprevisto!

Mas a tua semeadura foi tão firme e amorosa
Que resistirão ao vendaval de tua ausência
Pois sabem que sua suave e guerreira jardineira
Continuará com seu olhar a elas dirigido...

Agora sem o peso da vestimenta carnal
E acompanhada por jardineiros siderais
Continuará sua grande e sublime obra
Adubando-as com elementos sutis e etéreos...

E tuas flores continuarão enfeitando teu jardim,
Como manifestação de respeito e agradecimento
Lançando seu brilho e essência ao espaço
Como energia e perfume a acariciar teu coração!

Nara Pamplona





Reminiscências

Da minha janela interior...
Vejo-me criança travessa
Correndo pela areia da praia
Brincando com as pequenas marolas
Que acariciam meus pés descalços.

Observo-me sentada sob a amena sombra dos coqueiros
Com sonhos povoando meus pensamentos
Que provocam um sorriso em meu rosto infantil
Diante da imagem desfocada de uma vida plena e feliz!

Surgem, deslizando em nítidos cenários
A adolescência vivenciada com festas e alegrias
E realizações profissional e amorosa no vigor da mocidade
Enriquecida pela paz e sabedoria da maturidade;

Da minha janela interior...
Sinto-me no outono da vida
Feliz, mas com grandes lacunas
Deixadas pelo forte vendaval das perdas;

Da minha janela interior...
Olho o horizonte e a calma invade o meu coração dorido
Trazendo a certeza de que tudo valeu a pena
Vivi, sofri, mas brilhando o prêmio maior, a felicidade!

Nara Pamplona



2010!!! Uma reflexão!

    Mais um ano que passa, de forma célere, o que nos traz um
sentimento de que não foi suficiente para fazermos tudo o que
desejavamos.
    Mas o importante foram as flores da amizade e da convivência
que conseguimos plantar no nosso jardim interior, que, a par
das intempéries, foram cultivadas, dia a dia, com muito carinho
e cuidado. Se algumas feneceram, não foi por descuido ou falta
de cuidado, mas porque não se adequaram às condições da
terra que as acolheu, renascendo em outros jardins mais
propícios a seu desenvolvimento.
    Como todos temos um programa pré-estabelecido a cumprir e
nada ocorre por acaso, tenho a certeza que os jardins de todos
enriqueceram, com novas florações, plenas de toques belos e
multicores e que o aprendizado continua, com as tentativas de
burilamento de nossas arestas, representadas por erros,
fraquezas, incompreensões, que necessitam, a cada segundo, de
uma reflexão, no sentido de nosso aprimoramento e crescimento
interior.
    Que no ano de 2010 fortaleça os elos que nos une, mesmo que
virtualmente, renovando as esperanças de dias melhores, e que
a página que viraremos no nosso Livro da Vida, seja uma linda
lembrança de grandes experiências, sejam positivas, ou
negativas, e uma alavanca para um salto maior em busca do
aprimoramento.

FELIZ 2010!!!!!!!!!


Nara Pamplona




Amor de Mãe

Sentimento que integra à alma da mulher
Que já nasce com seu coração aninhando essa semente
Acompanha o ato da concepção,
Do entrelace de corpos em amor e paixão
Comprometidos ao abrigo de seres afins ou não...
Germina, também, espontaneamente
Quando o coração elege entes como filhos
Que Deus colocou no regaço escolhido...
É amor incondicional, sem cobranças...
Alimentado por temperos de sabedoria, de compreensão, 
de energia branda...

É AMOR SEM LIMITES!

Nara Pamplona

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

CEARÁ, MEU BERÇO DOURADO!

Fortaleza! que saudades de minhas raízes,
Da claridade a invadir a pequena cidade,
A tornar nossos dias iluminados,
E nossas almas aquecidas!

Lembranças infantis de um recanto parasidíaco
Quando se podia brincar em suas ruas de paralelepípedes,
Soltando pipas e jogando amarelinha,
Sem ruidos e interrupções causadas por veículos, peças raras!

De longos períodos de férias na praia agreste, ainda, de Iracema,
Onde, sem os perigos atuais, desbravavamos seus ricos recantos ,
Banhados pelas fortes ondas de um verde cristalino durante o dia,
E pelo canto do vento suave e morno de suas noites enluaradas!

De passeios do grupo familiar às serras agrestes,
Conduzidos em cacambas de velhos caminhões,
Das cascatas e poços naturais que banhavam nossos corpos,
E da iluminação das velas a clarear nossas estreladas noites!

Lembranças juvenis de namoros furtivos,
Embalados por "luaradas" à beira-mar,
Regidas pelos sons de violões,
Danças e românticas canções!

Terra encantada a alimentar mentes criadoras, grandes escritores!
Corações sensíveis, invejáveis poetas e compositores!
Espíritos alegres e brincalhões, grandea comediantes!
E, em épocas passadas, pioneira na luta pela abolição da escravatura!

Terra do Sol...
Recanto de Luz...
MEU CEARÁ...!!!!

Nara Pamplona

 




BRASIL! TERRA DA LUZ!

Abençoados foram nossos ancestrais
Nascidos e criados e no velho continente
Receberam a mensagem em seus corações
Que para nesse recanto teriam que migrar!

Terra com solo rico, fértil, e acolhedor
Foi aquinhoada pelo Plano Cósmico, Divino
Com um imensa parcela de seu vasto solo
Pelo abraço de um enorme e verde manto!

Sim! A cobiçada e vasta Floresta Amazônica
Com suas frondosas arvores vividas, frutíferas,
E muitas com propriedades medicinais
A socorrer e curar os que as conhecem!

Em tempos infelizes e nefastos, foi saqueada
Vilipendiada por seres de outras origens
Com alma sombreada com o germe do poder
E dos mais vergonhosos e más objetivos

Mas toda essa afronta e ataque a sua beleza
Não apagou de sua essência seu destino
Decidido pelo Universo e a Fonte Primordial
A de se tornar um reduto de paz e harmonia

Um recanto para os despertos da luz
Que para ela virão com respeito e amor
Plantar as sementes da concórdia total
Nesse solo eleito para o Amor e Bem Maior!

Nara Pamplona

Foto de Krys Amon na Unsplash



ARVORE DA VIDA

Para os místicos e os espiritualistas
É um das criações da Fonte Divina
Sendo a primeira divina e primordial
Denominada a Árvore do Éden
Que possuía atributos do bem e do mal

Com ligação com todo o Universo
É símbolo da fecundidade e imortalidade
E se abstraindo de outros conceitos
É fonte de alimentação saudável e Benfica

Tanto os seres humanos, animais, pássaros
Consomem seus frutos com amor e alegria
Que necessitam de adubos e constantes cuidados
Para que quem os produz não seque e feneça

Para tal fim, há que se ter essa consciência
Abracando-as com amor e agradecimento
Por essa dádiva cósmica, divinal
Cobrindo-as com manto de proteção e respeito!

Nara Pamplona





VITÓRIA DA LUZ

Nasci forte, serena, corajosa
Centelha da Divina Fonte
Gerada e desejada com Infinito amor
E em ambiente vibrante em luz

Seres escolhidos por afinidade
abraçaram-me com cuidados, zelo, energia
Expulsando a escuridão, a penumbra sombria,
Que pudessem trazer derrotas

Como caminhante determinado, desperto
Trilhei meu caminho traçado sem trilhas
Voando livre, sem amarras e nós atados
Isenta de crenças limitantes

Já chegando ao limiar da existência
Sempre alinhada ao propósito eleito
Lutei, venci, conquistando vitórias e êxitos Apesar das pedras e escuridão do mundo
Que não me turvaram as escolhas e projetos!

Nara Pamplona













APRENDIZADO NA VIDA

    
Janine era uma criança serena, amorosa, e, embora um pouco assustada, ingressou na sala de aula de sua primeira escola, com muita expectativa e alegria! Era a mesma situada em um prédio antigo, mais bem cuidado, de propriedade da única professora.
    Nos primeiros dias, tudo decorreu de forma tranquila, fase em que alunos e professora iniciaram seu relacionamento, com entrega de listas de livros e cadernos e outros materiais que seriam necessários!    
    Com o passar do tempo, passou a ver que a forma de educar não era normal, mas violenta e agressiva, o que muito a surpreendeu, pois não era a usada por seus pais e familiares como maneira de correção de atos rebeldes dos filhos.
    Qualquer ato de um aluno, por menor que fosse a gravidade, era punido com um castigo  demasiadamente severo, que era o de colocar o rebelde de frente para um velho quadro negro, de costas para os colegas e ajoelhado sobre pilha de tijolos durante o período de 1(uma) hora.
    Vendo essa triste e maldosa forma de correção e educação, transmitiu o malfadado ato a seus pais, que insatisfeitos e revoltados, compareceram a escola e, veementemente, pediram explicações à professora, mesmo porque era uma pessoa respeitada e benquista na pequena cidade, comunicando-lhe que sua filha não mais retornaria a escola.
    Logo encontraram um colégio de excelente qualidade, embora distante de sua residência, mas com o firme propósito de que sua filha teria uma excelente educação e não estaria exposta a tal tipo de maldade.
    Como não detinham uma boa situação financeira, tiveram que diminuir gastos, iniciando uma ferrenha luta, para auferir ganhos que pudessem suportar as despesas altas que teriam que arcar com pagamentos de mensalidades, uniformes, livros, e outros materiais escolares.
    Entretanto, estavam satisfeitos, pois o que mais desejavam era a felicidade de sua amada filha e uma educação de excelente qualidade. 
    Janine, como esperavam seus pais, adaptou-se muito bem na nova escola, lá cursando e findando a fase do primário, quando teve que sair, em razão do deslocamento de seus pais para outro Estado, mas sua primeira experiência escolar nunca foi esquecida, apesar de não lhe ter causado nenhum trauma que a impedisse de ter uma vida normal e equilibrada.



















Foto 1 de Joshua Hoehne na Unsplash
Foto 2 de moren hsu na Unsplash

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

A PODEROSA ENERGIA DA LUZ

Antes de iniciar o texto , é importante frisar que , segundo múltiplas interpretações religiosas e filosóficas, existem eventos ocorridos há milhões de anos, como mutações de DNA do Homem Erectum por seres extraterrenos para sua transformação em Sapiens, transformando sua natureza mansa, pacífica, serena, em seres agressivos, ávidos por dominação e poder, como forma de manipular e escravizar os que não se deixaram corromper e isso demandaria em um longo arrazoado, o que se deve evitar! Daí a alusão a analogia do lobo e ovelha com a natureza dos seres humanos, sendo certo que muitos permaneram puros, ingênuos, dando origem a recomendação de Jesus, mencionadas por seus discípulos em muitos versículos da Bíblia.

Estabeleceu-se desse modo, a dualidade do mal e do bem, opostos inconciliáveis inicialmente defendida pela filosofia maniqueísta, que perdeu sua força com o pensamento de Santo Agostinho, sustentado pela filosofia de Platão que defendia a relação entre o corpo e alma! Para o religioso, o mal é tão somente a ausência do bem, assim como as sombras são da luz!

Este sentir e pensar integra, atualmente, todo o comportamento daqueles que já despertaram para a consciência de sua essência divina e que remédio para curar essa chaga espiritual é o Amor Incondicional, que deve nutrir os corações de todos as partículas divinas! muitos preferem permanecer usufruindo das vantagens da ilusão da matéria, já que não vislumbram a existência da luz e sequer a creem que ela exista, como bem podemos observar no Mito da Caverna de Platão, integrante de seu valioso Livro “ A República “.

Nara Pamplona



A INFINIDADE DE SONS

Alguns conhecidos e perceptivos
Outros inimagináveis , vibracionais
Sincronizados em potentes frequências
Por aparelhos criados pela Ciência

Permeiam em ondas captadas
Por instrumentos especiais
Lançados no imensurável espaço
E traduzidos, chegam à nossos ouvidos

O mais conhecido e principal
Reflete uma essência curadora
Utilizada em Mantras, Meditações
O qual é denominado como "OM"

Os que são sentidos e ouvidos
Pelos habitantes da amada Gaia
São produzidos pelas árvores
Pelo mar, ventos, pássaros!

Ricos, calmos, suaves, serenos
São os dos riachos, cachoeiras
Florestas, chuvas, água corrente
E instrumentos musicais variados

E
como fomos agraciados, premiados
Pela Suprema Fonte Primordial
Ao nos conceder a rica e bela
Harmonia dos sons musicais

Que serenizam, fazendo vibrar
Nosso coração quando dorido
Atormentado por angústia, medo
Como carícias, sintonia amorosa!

Nara Pamplona



Resgate de uma história de vida

MARIA MADALENA E SUA ESSÊNCIA DIVINA

Nara Pamplona

Desde o início dos tempos, a imagem da mulher sempre foi desfigurada, massacrada, apresentada como um ser inferior, tendo como sua primeira vítima Eva que, embora existam outras versões sobre sua criação, foi a que contribuiu para o surgimento do suposto Pecado Original, segundo o mito bíblico.

Isso já é uma manifesta e maligna intenção de aniquilar o Sagrado Feminino que, na sua origem, deveria ser complementar ao Divino Masculino, como energias primordiais da criação da Fonte Divina, que no Oriente denomina-se como Yin (feminina) e Yang (masculina) e, para Carl Jung, como “Anima” e “Animus”.

A energia feminina habita em todo o Universo e nos homens também e é representada pelo amor, generosidade, sensibilidade, aceitação, leveza, paciência, intuição, empatia, cooperatividade; e, a masculina, força ativa, competividade, lógica, pensamento lógico e racional, a precisão e a capacidade de tomar iniciativa, sendo certo que é uma dualidade, polaridade, como a luz/sombra, calor/frio, dia/noite, sol/lua.

Todos nós nascemos com ambas as energias, com a prevalência de uma ou outra, ou seja, no homem a masculina, na mulher a feminina. Alguns, ainda, nascem com a oposta, a saber: o homem com a prevalência da energia feminina e a mulher com a masculina, sendo fundamental uma interação harmônica entre elas para o equilíbrio energético do Ser e do Universo, para que, assim, possa ocorrer o fim da competividade e o domínio do que se julga superior, mais forte e mais competente.

Com a predominância, no homem, da exacerbação da polaridade masculina, desde a época das cavernas, quando a mulher ficava cuidando dos filhos e da alimentação, enquanto aquele partia para a caça e para a luta em defesa de seu território, a polaridade feminina foi fragilizando-se, submetendo-se e sendo obediente àquele que considerava o mais forte e superior. Isso foi institucionalizado pelo patriarcado, através de vários éditos religiosos que, interpretando a Bíblia de forma equivocada, passou a considerar as mulheres, com exceção de Maria, mãe de Jesus, apenas como criaturas sexuais, representando a luxúria, a promiscuidade, como uma forma de deturpar o Divino Feminino.

Como o assunto dessa dualidade é extremamente vasto e, ainda objeto de estudos e pesquisas, não seria nossa intenção esgotar o tema. Importa ressaltar que é imprescindível a harmonização entre a consciência, que é característica da energia masculina, e a manifestação, a criatividade, o belo da energia feminina, para que ambas trabalhem juntas para uma vida mais saudável.

Temos, na História Universal, vários exemplos de mulheres que, indefesas e com o imaginário masculino vendo-as como seres inferiores e sem nenhuma significação, foram imoladas em nome de inomináveis preconceitos e crenças infames (defendidos por esse patriarcado que imperava na época), que foram consideradas bruxas pelo povo, servindo de bode expiatório para pragas, pestes, catástrofes.

É importante frisar que inúmeras mulheres, por sua coragem e determinação, conseguiram seu espaço na sociedade. Um exemplo clássico é Joana d’Arc que, comandando um exército de homens obteve conquistas e vitórias, mas depois foi queimada viva, como herege, por uma corte católica.

Assim com Joana d’Arc, existem muitas outras mulheres que, ultrapassando esse denso muro de execração, lograram êxito em suas conquistas, mesmo que, posteriormente, dizimadas pelo mesmo sentimento de repulsão. Mas, o espaço aqui não seria suficiente para nominá-las sem cometer alguma injustiça por omissão.

Contudo, a que sempre me chamou a atenção foi Maria Madalena, tida como uma prostituta e mulher de costumes pecaminosos.

Estudando um pouco de sua saga, aprendi que a verdade era outra, contrária à que sempre nos ensinaram...

Mulher com raros atributos de beleza, nascida em uma família com fartos recursos financeiros, não encontrava sintonia nem afinidade com os padrões vivenciados à época e que lhes eram impostos. Nutria sentimentos que a levavam a sentir desejos de mudanças em seu eu interior e superior.

Quando ouviu relatos sobre um homem diferente que, além de curar as pessoas, espalhava mensagens de amor incondicional ao próximo, solidariedade e humanidade, seu coração sofreu um impacto, um júbilo intenso, pois tudo aquilo estava em sintonia com os anseios de seu espírito.

Contrariando a família, resolveu ir a busca desse Ser Iluminado, que se chamava Jesus, e a Ele se juntou, acompanhando-o em suas caminhadas e peregrinações. Os discípulos do Mestre não aprovavam sua presença, pois não era normal nem aceitável uma mulher, “ser inferior”, integrar um grupo masculino.

No entanto, Jesus a aceitou como discípula, principalmente por sua lealdade, sensibilidade e inteligência e, assim, passou a tê-la como sua melhor parceira e companheira, com ela compartilhando conhecimentos e ensinamentos.

Maria Madalena já trazia de modo harmônico, em seu eu, ambas as energias: a feminina e a masculina. Com serenidade, leveza, amor, determinação, consciência e força interior, essências da dualidade criada pela Fonte Divina, integrou-se ao grupo de apóstolos, mesmo com a recusa de aceitação por parte de muitos deles. Assim, passou a ser a melhor discípula de Jesus, vindo, tempos depois, a ocupar posição superior aos demais discípulos.

Com sua inteligência e cultura, conseguia assimilar muitos dos ensinamentos de Jesus, que lhe repassava até os secretos. Após a crucificação, veio a substituir Pedro na liderança do grupo e, a ela Jesus apareceu primeiro após sua ressureição.

Essas informações constam em um texto que ficou conhecido como Evangelho de Maria Madalena, texto gnóstico encontrado no “Codex Akhmin”, adquirido pelo Dr. Carl Rheinhardt, na cidade do Cairo, em 1896, e publicado apenas em 1955, após seu surgimento na Biblioteca de Nag Hammadi. Acresce salientar que nesse Evangelho é mencionada a tristeza dos apóstolos, principalmente de Pedro, que indagou como poderiam continuar pregando o Evangelho do Filho do Homem aos gentios? Se eles não O pouparam, o que fariam com eles? Ao que Madalena respondeu: “Não vos lamentais nem sofrais, nem hesiteis, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens”. Depois desse diálogo, passaram a aceitá-la e a manter conversação com ela, que lhes passava os ensinamentos que não entendiam, continuando a pregar o Evangelho em todas as cidades que percorriam.

Com a intenção de estigmatizar o Divino Feminino, que já nasceu com ela e permaneceu durante todo o seu caminhar junto a Jesus e após a sua crucificação, no ano de 591 d.C. o Papa Gregório definiu-a como prostituta e adúltera, em sermão na Basílica de São Clemente, em Roma, acabando assim com o avanço das mulheres na Igreja Católica no final do Século VI.

Sua imagem distorcida sofreu mudanças, em decorrência dos outros evangelhos, também considerados apócrifos e, atualmente, no meio espiritualista, é considerada como uma das primeiras e grandes Mestras da mensagem do Cristianismo original.

Todos lhes devemos homenagem, amor e respeito, pois demonstrou a harmonização das energias do Divino Feminino e Divino Masculino e a alta capacidade e grandeza de seu espírito.

Honremos, pois, esse Ser Ascencionado, por sua alma superior, amorosa e dedicada ao Bem Maior!

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Bibliografia:
  • Wikipédia, a enciclopédia livre.
  • Evangelho de Maria Madalena - José Lázaro Boberg.
  • Gabriel Menezes - Anima e Animus: Como Equilibrar o Sagrado Feminino/Masculino?

Renascimento

Estas vestais com mantos diáfanos, etéreos.
E reluzentes como o brilho galáxia
Elegem meu calejado e esquálido corpo
Suavemente, com gestos aveludados e contínuos

Encobrem-no com vibrações sonoras cadenciadas
Remediando seus estertores, 
sentindo resvalar em suas frágeis veias
O calor de um amor flamejante incondicional como o de outrora
Com o coração em frêmito, expectante, como fogo ardente

Sentiu reviverem suas pálidas forças
Explodindo como um novo e afortunado ser
Renascendo, florindo, uma nova forma de amor

Seu coração vazio, sem destino, acalmou-se
Adquirindo tenazes, resistentes contornos
Sua alma cresceu, apaziguou-se, sorriu!

Nara Pamplona



Aqui e Agora!

Meus versos líricos desertaram no amanhecer
Ressentidos com imagens rotas, disformes
Surgidas na tela mental, nítidas, sem reflexão
Misturando-se passado e presente como em filme...

Rostos macerados, enrustidos, escuros
Como a negritude de uma noite sem estrelas
Sorrisos distorcidos com o esgar da dualidade
Disfarçados com máscaras engendradas com sutileza....

Ah! Espíritos toscos, pobres em sentimentos e humanidade
De um lado, dissertam, falando de amor, amizade, carinho
De outro, destilam em ouvidos simples, desavisados
Envenenadas palavras de desagregação, desarmonia...

Aqui e agora... Somente aqui e agora!
Amanhã, outro dia, via inversa dessa estrada que me sufoca...
Relembrarei e abraçarei almas afins e de faces abertas
Fortalecendo as raízes do que fui, sou, e sempre serei!

Versejarei sobre amor e paixão em ardentes tons
De jardins enriquecidos pelas flores vívidas da amizade
De solidão perfumada e amenizada por belas lembranças
Da beleza de ser, estar, e viver....!

Nara Pamplona







terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Semblante

 Semblante


Quando murcha meu coração

O Dó invade o espaço

E o Mi, resssentido, lembra em Si.


Nara Pamplona




Alma da poesia

Que essência perfumada exalam
Os textos que enfeitam o papel
Matizando-o com multicores sutis
Dando-lhe vida rica e colorida!

Letras que dançam buscando rimas,
Como bailarinas ansiosas o seu passo
Solfejando tons frenéticos, inebriantes,
Buscando o climax da beleza, do êxtase!

Poesia, és tu, que, com tua alma iluminada...
Aqueces os corações enamorados,
Mitigas as dores do mundo conturbado,
Envolvendo-os com teus diáfanos veus!

Alma tenaz que instiga os sentimentos,
Cavando versos em solos adormecidos,
Como pérolas encrustadas em conchas esquecidas...!

Nara Pamplona



Miragem

Não foi miragem...sonho....
Você surgiu com mantos dourados,
Os cabelos esvoaçando ao sabor do vento,
Os olhos negros com brilho angelical!

Os braços estendidos e convidativos,
O brilho solar enfeitando seu sorriso,
Seu corpo levitando em dança etérea,
As mãos com dedos apontados para o éter...

Com meu corpo tremulando de emoção
Expulsando a razão que, fria e renitente
Teimava em continuar a reinar, a comandar,
Dirigi meus olhos para o apontado espaço!

Imagens foram surgindo em nítido filme,
Cenas desenrolando-se continuamente,
Vistas por meus olhos nadando em lágrimas,
Como se tudo fosse conhecido, amado...

Vi...!!!Senti um mundo pleno de simplicidade,
Puro amor envolvendo as paisagens,
As pessoas que trabalhavam, passeavam,
Com um propósito sublime a atingir....

A convivência harmoniosa, sincera e serena,
Sem a nódoa da vaidade, inveja, inimizade,
Guerras, questiúnculas, concorrências desleais
Ligava todos em liame de radiante e quieta luz...!

Um choro calmo acalentou uma saudade
Que, antes indefinida, no momento evidenciou-se!
Veio a despedida vestida com um amor indizível
E me prostei ajoelhada e agradecida ao Criador!

Nara Pamplona



Sem adeus...

Viagem inesperada e doída
Sem possibilidade de retorno
N'uma noite iluminada pelas estrelas
Em plataforma fria e vazia...

Partiram-se pedaços de mim
Estupefatos e soltos ao léu
Buscando rotas, caminhos a seguir
Em desvario atormentando a alma...

Recordações de lindos momentos,
Jungiram esses pedaços não perdidos,
E meu coração negou-se ao adeus
Vestido com memória de pleno amor!


Nara Pamplona



Solidão, companheira...

A alegria sempre acompanhou meus passos
Compartilhando com entusiasmo e euforia,
As dádivas da vida, a beleza do existir
A oportunidade de crescer, aprender!

Enriqueceu e abrilhantou meu coração
Colorindo meu olhar curioso e insistente
Com os variados matizes da natureza
E a beleza infinita das riquezas do universo!

Hoje, divide seu espaço com a tristeza
Não constante, mas indócil e teimosa
Permitindo a presença de pálida solidão
Que não enfraquece meus passos...

Reacende, apenas, uma saudade intermitente
De um passado pleno,feliz, e não muito distante
Mas que m'alma corajosa e destemida
Transforma em cúmplice necessária...


Nara Pamplona



Meu presente para 2011

A vida me foi pródiga em presentes
Infância feliz embora com parcos recursos
Pais que me receberam com amor
Forjando meu espírito com fortes valores morais

Menina séria, pensativa, reflexiva
Cujo prazer maior era a convivênvia com os mais velhos
Absorvendo, com avidez, suas experiências, sabedoria
Vivenciando momentos infantis, também, com alegria!

Adolescência e mocidade rica em amigos,
Flertes curtos, sem emprestar importância a namoros
A par de cercada de bons partidos como se dizia
Fascinada com estudos, festas, danças, saraus...

Irmãos bonitos, amigos, unidos pela parceria
Embora desentimentos não faltassem
Naturais em familia com quente sangue nordestino
Superados pela mão forte, mas branda de seus timoneiros!

Tempo passando, casamentos realizando-se,
Crianças enriquecendo o ambiente com suas tranquinagens
Outros espíritos de origens diversas aumentando esse núcleo
Busca de agregações, adaptações, situação natural!

E o tempo continuando a correr sem tréguas...
Perdas de grande amores, afastamento de entes queridos
Novas uniões com outros espíritos com diferentes índoles
Formação de novos núcleos, novos espíritos renascendo....

E o grande barco construído com rija madeira de lei
Perdeu seu rumo com a partida de seus comandantes...
Permanecendo parcos tripulantes, teimosos, lutadores,
Buscando novos destinos a seguir, com portos sem solidão...

Meditando, exercitando a anamnese, minha leal companheira
Imaginei que presente gostaria de receber nessa data especial
E a resposta chegou célere, e sem grandes rodeios
Podendo constituir-se em sonho ou devaneio...

Não desejo presentes materiais, apesar de benvindos
Mas gostaria de receber "embrulhados" em papel dourado,
Os amores recompostos, a união e parceria esquecidas
Aquele barco desbotado pintado com as fortes cores do amor....

Nara Pamplona



sábado, 4 de janeiro de 2025

Meu carnaval

Abraçar os dias ensolarados e sua energia vibrante
Tecer um colar de pérolas com amigos fiéis e constantes
Meu corpo envolver-se com os fios prateados da lua
Fingir ser uma Colombina com meu Pierrot apaixonado....

Sentir meu coração ser afagado com gestos carinhosos
Deixar que sonhos perenes acalentem m'alma
Relembrar uma paixão desenfreada abrazando meu sentir
Devastando pudores, unindo-nos como um único ser...

Envolver-me nessa fantasia de múltipo entrelace
De prazeres sem limites de tempo e espaço
Formando meu bloco de folia lançado ao infinito
Cantando loas à beleza da alegria, da paixão, dos amores....

Nara Pamplona



Meu doce namorado

Manhãs e noites desenrolam-se na espiral do tempo
E as lembranças persistem fortes como rochas
Rodopiando em minha mente saudosa e não a destempo
Como chamas ardendo em flamejante tocha...

Passado e presente confundem-se em minha tela mental
Focando imagens do que foi, é e continuará sendo
De um sentimento vivenciado como se fora transcendental
Momentos que abrilhantavam nosso amor sempre crescendo...

Renovam-se os as manhãs e o despertar com arte amorosa
Pontificado com cumplicidade, parceria, companheirismo
E as noites tecidas em candente fogo de paixão ardorosa
Ávida, exigente, queimando os corpos sem trégua, 
com exclusivismo...

E seu rosto surge emoldurado por cabelos brancos
Um sorriso aberto enfeitando sua forte e bela face
Seus delineados lábios sussurando de forma branda
Fui, sou, e serei sempre, seu eterno namorado!

Nara Pamplona



Meu namorado

Queria ser um ser transcendental alado
Sem limitações de lugar e tempo
Voar. liberta pelo espaço infinito
Reencontrar você, meu amado namorado..

Com saudade e emoção explodindo no peito
E sentimento divorciado de desejos
Somente abraçar seu corpo etéreo e sutil
Dizer-lhe do vazio da sua ausência...

Da dor intermitente que assola meus sentidos
Da ferida aberta em chagas sem remédio
Do amor sem limites que clama em meu peito
Da fome insaciável da sua presença amorosa...

Mas o que fazer? O que sentir?
Contentar-me com encontros em sonhos
Lembranças de uma união completa e feliz
Da certeza inquebrantável de que não o perdi...

Algum dia, não sei como e quando
Serão quebradas as amarras que me prendem
As flores vicejarão no jardim que cultivamos
Emanando odores próprios de almas gêmeas...

Mas, queria ser...!
Queria ter...!
Queria dizer...!
Queria...!

Nara Pamplona



Almas Gêmeas

U m olhar somente, um toque leve de mãos, Acendem em seu coração de imediato, O aceno forte de que ela, finalmente, surgiu, Depois de longa ...